Os resultados de um novo estudo, publicado na revista científica PLoS ONE, mostram que um menor risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal está associado a fatores como um maior nível de escolaridade e dedicar mais de 150 minutos por semana a realizar exercícios físicos de intensidade vigorosa. Também em Portugal, segundo um estudo apresentado recentemente pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do Instituto Ricardo Jorge, se verifica esta ligação de um menor risco de se ficar obeso ou desenvolver excesso de peso nas pessoas com um nível de escolaridade mais elevado.

  •   Os resultados concluem ainda que em Espanha, com idade superior a 40 anos está associado a um maior risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal.
  • Assistir a muita televisão, ou muito frequentemente, está associado com o aumento do risco de desenvolver obesidade geral e abdominal, enquanto dormir 7 ou mais horas por dia está associado a uma maior proteção contra a obesidade (geral e abdominal).

A revista científica PLoS ONE publicou recentemente o trabalho de investigação “A obesidade geral e abdominal está relacionada com a atividade física, tabagismo e hábitos de sono e é influenciada pelo nível de escolaridade: resultados do estudo científico ANIBES em Espanha”. Tratam-se de novos dados dentro do estudo científico sobre dados antropométricos, a ingestão de macronutrientes e micronutrientes e as suas fontes, assim como o nível de atividade física e de dados socioeconómicos da população, que foi coordenado pela Fundación Española de Nutrición (FEN).

O objetivo deste novo trabalho de investigação, incluído no estudo científico ANIBES, foi de analisar a população adulta espanhola, entre os 18 e 65 anos, a relação entre os diferentes fatores socioeconómicos e os estilos de vida, incluindo o exercício físico, o risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal.

“Os resultados deste estudo mostram que, em Espanha, ser do sexo masculino e com idade superior a 40 anos está associado a um maior risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal”, como explica a Prof.ª Doutora Rosa M.ª Ortega, Diretora do Grupo de Investigação VALORNUT e Catedrática de Nutrição da Universidade Complutense de Madrid. “Por outro lado, um maior nível de escolaridade e dedicar mais de 150 minutos por semana a realizar exercícios físicos de intensidade vigorosa associa-se a um menor risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal.”

 Diferenças significativas entre sexos

O padecimento de excesso de peso, obesidade geral e obesidade abdominal foi significativamente superior na população masculina participante no estudo científico ANIBES. “Enquanto que 40,5% dos homens tinha excesso de peso, este valor nas mulheres era de 31,4%. E no que se refere à obesidade geral, 22,7% da população masculina padecia, face a 17,3% da população feminina. Por último, 64,7% dos homens tinham obesidade abdominal, enquanto que entre as mulheres este valor diminui para 52,5%”, de acordo com a Prof.ª Doutora Rosa M.ª Ortega.

Neste sentido, a literatura científica tem sugerido que o género por si mesmo é um fator que influencia a composição corporal, a oxidação e a mobilização das gorduras, e que as hormonas sexuais afetam tanto a quantidade como a distribuição da gordura corporal. “Se nos centrarmos no estudo científico ANIBES – continua a comentar a autora deste trabalho de investigação – o aumento do risco de desenvolver excesso de peso ou obesidade em homens pode ser determinado pelas diferenças nos padrões de atividade física, ou de hábitos alimentares, que existem entre a população masculina e feminina.”

Diferenças de acordo com características sociodemográficas

Este trabalho teve também em conta para a sua análise as características sociodemográficas da população, tais como o nível de escolaridade, emprego e rendimento.

Neste sentido, “pudemos constatar que apenas uma educação ao nível universitário estava inversamente associada com o risco de desenvolver excesso de peso e obesidade geral e abdominal”, explica a Prof.ª Doutora Rosa M.ª Ortega. “O nível de escolaridade pode influenciar a saúde e o peso corporal, uma vez que está relacionado com o conhecimento em saúde e estilos de vida saudáveis, incluindo os hábitos alimentares e a atividade física.”

Em relação aos rendimentos familiares, “é importante destacar que o fato de não responderem a esta pergunta (23,6%) se associou a um menor risco de sofrer de obesidade abdominal, uma vez que se entende que as pessoas que não declaram o seu rendimento pertencem ao grupo de indivíduos com rendimentos e nível socioeconómico mais elevados”, continua a sublinhar a autora do estudo.

Hábitos e estilos de vida

O grau de atividade física que se realiza é um fator determinante para conhecer o gasto de energia. “A análise de regressão multivariada utilizada para este estudo mostra que a atividade física de intensidade vigorosa pode ter um maior efeito na prevenção do excesso de peso e da obesidade que a atividade física de menor intensidade”, diz a Prof.ª Doutora Ortega. “Neste estudo, observa-se uma redução do desenvolvimento do excesso de peso e obesidade geral e abdominal em indivíduos que dedicam mais de 150 minutos por semana a realizar atividade física de intensidade vigorosa, sem que se encontre uma influência significativa em considerar a atividade de intensidade inferior.”

Por outro lado, os resultados do estudo científico ANIBES sugerem que dormir 7 horas ou mais por dia está associado a um menor risco de desenvolver obesidade geral e abdominal, um risco que se reduz ainda mais a partir das 8 horas diárias de sono. “A associação entre dormir e o desenvolvimento da obesidade pode ser causada por os indivíduos que permanecem mais tempo despertos serem mais propensos a sentir fome e a terem um maior número de ocasiões para comer, assim como terem um estilo de vida menos saudável”,aponta a Prof.ª Doutora Rosa M.ª Ortega. “Da mesma forma, um período mais longo de tempo a ver televisão ou a fazer atividades sedentárias é também um fator de risco importante para o desenvolvimento de obesidade geral e abdominal.”