O projeto europeu ReTuBi (Research in Tumor Biology), em parceria com o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM) e o Fundo iMM-Laço convidaram as associações oncológicas da sociedade civil a participarem no Encontro Oncologia: Conversas com Cientistas. O objetivo desta iniciativa foi mostrar a quem lida diariamente com o problema do cancro, qual o contributo que a investigação está a dar na procura de cura para o cancro.

A iniciativa contou com a presença de Maria Mota, Diretora Executiva do iMM João Lobo Antunes que falou como é importante falar com a sociedade civil e mostrar o que está a ser desenvolvido na área da investigação, nomeadamente no que se refere ao cancro, uma das áreas mais investigadas no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes. Luís Costa, Diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) – Hospital de Santa Maria e Investigador Principal do iMM João Lobo Antunes fez uma abordagem sobre a ciência e o doente oncológico. Ao longo da sua exposição mostrou a todos os presentes como Portugal pode ter um papel preponderante na área da investigação, tal como aconteceu no passado na época dos descobrimentos. Referiu que o cancro é uma doença com características específicas, na medida em que é a única que tem a capacidade de metastizar, e por essa razão é muito importante investigar o tumor e o meio envolvente.

Hoje, muitos estudos demonstram que é essencial conhecer não apenas o tumor, porque o comportamento do tumor também depende do hospedeiro. Pela primeira vez já temos no mercado medicamentos que têm como alvo o ambiente tumoral em que a célula se desenvolve e não o tumor diretamente, e isto porque a investigação deu importantes passos nesse sentido. A investigação é fundamental na medida em que fornece aos oncologistas tratamentos mais precisos que podem ajudar a tratar os doentes com cancro com uma maior eficácia. Termina dizendo que “se não damos abertura à inovação o mundo real será sempre seco, sem chuva”, referiu Luís Costa.

Bruno Silva-Santos, Vice-Presidente e Investigador Principal do iMM João Lobo Antunes, falou sobre o papel atual da imunoterapia no tratamento do cancro. Bruno Silva-Santos e a sua equipa dedicam-se a descobrir como o sistema imunitário pode ser uma parte essencial no tratamento do tumor, procurando reativar o mesmo no combate ao cancro.

Muitos são os caminhos a percorrer e hoje também procuram respostas a questões tão importantes como: porque é que nem todos os tipos de cancro beneficiam da eficácia da imunoterapia? Neste momento desenvolvem um trabalho único com “DOT cells” (um tipo de glóbulos brancos do sangue que existem em muito pouca quantidade (1 a 2%) mas que podem ser expandidas in vitro e ser usadas no tratamento dos doentes) na área das leucemias e esperam dentro de 1 a 2 anos conseguir entrar na fase de ensaios clínicos, um passo que só é alcançado por cerca de 3% dos projetos de investigação. “Se conseguirmos fazer a diferença para um só tipo de cancro já ficaremos muito contentes”, referiu Bruno Silva-Santos. Lynne Archibald, do Fundo iMM-Laço encerrou o debate mostrando a importância que a investigação tem na procura de respostas a tantas perguntas, com as quais as mulheres diagnosticadas com cancro da mama, diariamente se debatem. Foi para encontrar estas respostas que em 2015 nasceu o Fundo iMM-Laço que apoia anualmente novos projetos de investigação na área do cancro da mama. Este foi um dos primeiros encontros da investigação com a sociedade civil, procurando assim mostrar como a ciência está de “braço dado” com a saúde.