O Hospital Garcia de Orta (HGO), em parceria com o Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães (HSOG), organizaram, este mês, no HSOG, o 2º Workshop sobre Hospitalização Domiciliária.

Esta foi a segunda formação destinada aos hospitais e equipas instaladoras que manifestaram à Comissão da Reforma Hospitalar intenção em implementar projetos de Hospitalização Domiciliária, com base no quadro de contratualização e apoios à implementação definido pelo Ministério da Saúde. O 1º Workshop foi realizado o mês passado no HGO e os dois workshops totalizaram mais de 100 participantes, de entre cerca de 30 hospitais e outras entidades.

Apesar do Ministério da Saúde prever admitir cerca de 12 candidaturas para projetos de Hospitalização Domiciliária, quase todos os hospitais manifestaram interesse em participar nos Workshops promovidos pelo HGO e HSOG, motivo pelo qual se perspetiva que o Serviço Nacional de Saúde aposte fortemente nesta modalidade. Este modelo poderá para fazer face ao aumento das necessidades de internamento, devido ao aumento da população idosa (em consequência do aumento da esperança média de vida e da maior eficácia das terapêuticas utilizadas na doença crónica).

O programa da formação incluiu a apresentação da primeira experiencia de hospitalização domiciliária, do HGO, em alternativa à hospitalização convencional e a experiência de hospitalização complementar de prestação de cuidados domiciliários do HSOG iniciada há mais de 2 anos.

Em 1 ano e meio de desenvolvimento da unidade, o HGO já internou em casa cerca de 400 doentes que teriam sido internados no próprio hospital, num universo de cerca de 580 doentes elegíveis. A Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) conta com grande satisfação e adesão dos utentes (superior a 90%), com a ajuda de familiares ou pessoas próximas (cuidadores). A evidência disponível indica ainda custo 37% inferior, menos complicações, e sem infeções contraídas nos hospitais.

A experiência do HSOG permitiu internar no Hospital e concluir o tratamento no domicílio a mais de 600 doentes, encurtando a estadia em cerca de 1 dia e os custos no hospital, com plena satisfação dos doentes.

A Hospitalização Domiciliária começou há 60 anos nos E.U.A., existindo há várias décadas em países europeus como Espanha, França, Holanda e muitos outros.

Segundo indicações do Vice-presidente da Administração Central dos Serviços de Saúde prevê-se que a regulamentação enquadradora desta modalidade em Portugal esteja concluída ao longo do corrente ano e haverá acompanhamento da experiência no sentido da sua inclusão no ensino médico pós graduado, no ensino especializado da gestão hospitalar e na investigação clínica, com divulgação e publicação dos resultados pela Escola Nacional de Saúde Pública.

Com esta experiência, Portugal não só ficará a par dos países europeus com maior tradição, como está a tratar do enquadramento legal, económico-financeiro e formativo, como nenhum outro país o fez, havendo países que levaram quase 20 anos a consagrar esta modalidade de cuidados de saúde.

Além da Comissão Nacional da Reforma Hospitalar, outras instituições têm promovido a discussão deste tema, como a Ordem dos Médicos e aconselhado o seu desenvolvimento, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, dado o envelhecimento da população, a impossibilidade de satisfazer todas as necessidades de internamento ou cuidados hospitalares com recursos a camas e urgências hospitalares.