Para além dos recém-nascidos, o Programa Nacional de Vacinação prevê a imunização antipneumoncócica gratuita de alguma população adulta. A vacinação está, também, recomendada a grupos de risco como os portadores de doenças respiratórias. Por falta de informação, ou de prescrição, ainda são poucos os que estão vacinados. A Associação Respira adverte «há que reverter esta situação». 

Segundo a Norma 011/2015 da Direção Geral da Saúde, os grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica (DIP) devem vacinar-se. A prevenção contra a Pneumonia, a forma mais comum da DIP nesta faixa etária, é, assim, recomendada, a quem está mais fragilizado, como é o caso dos membros da Associação Respira – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas.

Para a Associação, a vacinação é uma das maiores realizações em matéria de Saúde Pública. Milhões de vida têm sido salvas (e continuarão a ser), através dos programas de vacinação, que correspondem, em média, a apenas 0,5% dos orçamentos da Saúde.

«Para os doentes com DPOC e outras doenças respiratórias crónicas, a vacinação contra a pneumonia é mandatória», começa Isabel Saraiva,  Vice-Presidente Respira. «A evidência demonstra a sua eficácia, nomeadamente na redução das exacerbações que são eventos graves com consequências imprevisíveis», continua.

Na opinião da Respira, o acesso à vacinação antipneumocócica, deve ser facilitado, quer através da divulgação e da prescrição da imunização por parte dos profissionais de Saúde, quer por via do incentivo económico – no caso dos doentes com DPOC, a comparticipação prevista é semelhante à de qualquer outro adulto saudável, 15%.

O acesso à informação é o primeiro passo para a uma boa prevenção. «As pessoas estão pouco informadas. Temos de alterar este cenário. Mesmo no caso de quem está recomendado e pertence aos grupos de alto risco, logo, com acesso gratuito à vacina contra a Pneumonia, as taxas de vacinação são extremamente baixas. Seja por falta de informação sobre os seus direitos, seja porque não houve prescrição por parte da equipa médica, o facto é que ainda há muitos grupos por imunizar», explica Isabel Saraiva.

Grupos de alto risco como portadores de HIV, pessoas cuja imunidade está comprometida, pessoas com linfomas ou que tenham retirado o baço, estão entre aqueles que têm direito à vacinação sem quaisquer custos. À semelhança do que acontece com quem sofre de doenças respiratórias, a falta de informação e/ou de aconselhamento médico, são a principal causa das reduzidas taxas de vacinação. 

Com o alargamento da vacinação a estes grupos, pretende-se uma redução da incidência da doença e, consequentemente, a diminuição das taxas de morbilidade e mortalidade por DIP. Previne-se, simultaneamente, complicações e sequelas da doença nos grupos mais vulneráveis, assim como o seu impacto social.

«As Doenças Respiratórias são um dos maiores desafios do século XXI mas o seu impacto em termos de saúde e socioeconómicos está subavaliado. Em 2030, um terço da população europeia terá mais de 65 anos, o que significa, entre outros aspectos, que o peso da Pneumonia se fará sentir cada vez mais. Sabendo nós que as pessoas com DPOC se incluem na faixa etária entre os 65 e os 79 anos, entendemos que um programa de vacinação eficaz deve ter em linha de conta as alterações demográficas e a gravidade da Doença Respiratória», conclui a Presidente da Respira.

Na idade adulta, a DIP manifesta-se, sobretudo, sob a forma de Pneumonia. De 18 em 18 minutos, há um internamento por Pneumonia e a cada 90, morre uma dessas pessoas. Para além da Pneumonia, a vacinação antipneumocócica previne formas graves da infecção como a Meningite e a Septicémia, e outras menos graves como a Otite Média Aguda e a Sinusite.

O pneumococo é a bactéria responsável por, aproximadamente, 1.6 milhões de mortes por ano em todo o mundo, sendo, por isso, uma das principais causas de morte preveníveis através de vacinação. Em Portugal, custa uma média de 80 milhões de euros por ano, o que significa que, por dia, se gastam 218 mil euros apenas com tratamento e internamento. Custos indiretos, como o absentismo laboral, não estão contemplados nestes cálculos.